Pular para o conteúdo
Backer Faquim Advogados
← Conteúdo

Ajovy (fremanezumabe) pelo plano de saúde: o convênio é obrigado a cobrir o tratamento para enxaqueca?

Ajovy pode ser indicado para prevenir crises frequentes de enxaqueca, mas muitos planos negam a cobertura. Entenda quando a negativa pode ser abusiva e como o Backer Faquim Advogados pode ajudar pacientes em Belo Horizonte e em todo o Brasil.

Por Dr. Douglas Faquim30 de maio de 20269 min de leitura
Mulher com enxaqueca analisando negativa do plano de saúde para cobertura do medicamento Ajovy com apoio de advogado especialista em saúde.

Ajovy (fremanezumabe) pelo plano de saúde: o convênio é obrigado a cobrir o tratamento para enxaqueca?

A enxaqueca pode parecer, para quem vê de fora, apenas uma dor de cabeça forte. Para quem convive com crises frequentes, a realidade é outra. A dor interrompe o trabalho, atrapalha o sono, afasta o paciente da família, limita a rotina e, muitas vezes, obriga o uso repetido de medicamentos de alívio que nem sempre funcionam.

Quando a enxaqueca se torna frequente ou incapacitante, o neurologista pode indicar tratamentos preventivos mais modernos, como o Ajovy, medicamento cujo princípio ativo é o fremanezumabe. O problema é que, por se tratar de uma medicação de alto custo, muitos pacientes recebem negativa do plano de saúde justamente no momento em que mais precisam iniciar ou manter o tratamento.

Se o seu médico prescreveu Ajovy e o plano recusou a cobertura, essa negativa precisa ser analisada com cuidado. Em muitos casos, a recusa pode ser considerada abusiva, especialmente quando existe prescrição médica fundamentada, relatório clínico detalhado, indicação em bula e histórico de falha, intolerância ou contraindicação a tratamentos anteriores.

O Backer Faquim Advogados, escritório com sede em Belo Horizonte e atuação nacional, já atuou em mais de um caso envolvendo medicamentos de alto custo, inclusive situações em que o paciente precisava discutir judicialmente a cobertura de tratamento prescrito pelo médico.

Para que serve o Ajovy?

Ajovy é o nome comercial do fremanezumabe, um medicamento injetável indicado para o tratamento preventivo da enxaqueca em adultos com pelo menos quatro dias de enxaqueca por mês. Essa indicação consta na bula do medicamento.

Isso significa que o Ajovy não é usado para cortar uma crise que já começou. Ele não funciona como um analgésico comum ou um remédio de pronto alívio. Sua finalidade é preventiva: reduzir a frequência, a intensidade e o impacto das crises ao longo do tempo.

Na prática, o medicamento costuma ser indicado para pacientes que sofrem com crises recorrentes, já tentaram outros tratamentos e continuam com prejuízo relevante na rotina. A decisão, porém, deve sempre ser feita pelo médico, geralmente neurologista ou especialista em cefaleia.

Como o Ajovy age na enxaqueca?

O fremanezumabe é um anticorpo monoclonal que atua sobre o CGRP, uma substância envolvida nos mecanismos da enxaqueca. De forma simples, o medicamento tenta bloquear uma das vias relacionadas à dor e à repetição das crises.

A própria ANS analisou o fremanezumabe como tecnologia voltada ao tratamento preventivo de enxaqueca em adultos com pelo menos quatro dias de enxaqueca por mês, refratários a três tratamentos prévios.

Essa informação é importante porque mostra que o Ajovy não é uma escolha aleatória. Trata-se de medicamento específico para prevenção da enxaqueca, com indicação médica direcionada para pacientes que não tiveram resposta adequada a alternativas anteriores.

Ajovy é mensal ou trimestral?

A bula do Ajovy prevê duas formas de uso. O médico pode prescrever 225 mg uma vez ao mês ou 675 mg a cada três meses, com três aplicações consecutivas de 225 mg no mesmo dia. A escolha entre o esquema mensal e o trimestral depende da avaliação médica e da situação clínica do paciente.

A aplicação é subcutânea, ou seja, feita abaixo da pele. A própria bula informa que o medicamento pode ser administrado por profissional de saúde, paciente ou cuidador, desde que haja treinamento adequado.

Quanto tempo o Ajovy leva para fazer efeito?

Cada organismo responde de uma forma, mas os estudos descritos em bula apontam que o efeito foi observado já no primeiro mês e se manteve durante o período de tratamento. A bula também orienta que o benefício seja avaliado após aproximadamente três meses do início do uso.

Por isso, é comum que o médico acompanhe a evolução do paciente por meio da redução dos dias de crise, diminuição do uso de medicamentos de resgate, melhora funcional e redução do impacto da enxaqueca na vida diária.

O plano de saúde cobre Ajovy?

Essa é a principal dúvida de quem recebe a prescrição. Muitos planos de saúde negam o Ajovy alegando que o medicamento não está no Rol da ANS, que seria de uso domiciliar, que não há cobertura contratual ou que o paciente deveria tentar outros tratamentos antes.

Essas justificativas não devem ser aceitas automaticamente.

A Lei 14.454/2022 alterou a Lei dos Planos de Saúde para permitir a cobertura de tratamentos não incluídos no Rol da ANS quando houver critérios técnicos, como comprovação de eficácia, recomendações de órgãos técnicos ou respaldo científico.

Além disso, a discussão sobre cobertura não pode ignorar a realidade clínica do paciente. Se a doença é coberta pelo contrato, se o medicamento tem prescrição médica, se há indicação terapêutica e se o tratamento foi considerado necessário pelo especialista, a negativa pode ser questionada.

Em casos assim, o ponto central não é apenas saber se o Ajovy aparece ou não em uma lista administrativa. O que precisa ser analisado é se a recusa viola a boa-fé contratual, a função assistencial do plano e o direito do paciente ao tratamento indicado para sua condição.

Ajovy está no Rol da ANS?

A ANS avaliou o fremanezumabe para tratamento preventivo de enxaqueca em adultos refratários a três tratamentos prévios. No processo de atualização do Rol, houve recomendação desfavorável à incorporação, apesar de a própria análise técnica reconhecer evidências de superioridade em relação ao placebo em desfechos como redução de dias de enxaqueca e melhora em escores de incapacidade.

Isso não significa, por si só, que todo plano pode negar o tratamento em qualquer situação. A ausência de incorporação ao Rol não encerra a análise jurídica, principalmente após a Lei 14.454/2022.

Na prática, cada caso deve ser avaliado a partir da prescrição médica, do relatório clínico, do histórico de tratamentos anteriores, da gravidade da enxaqueca, da urgência terapêutica e do motivo formal da negativa.

Unimed, Amil, Bradesco, SulAmérica e outros planos podem negar Ajovy?

A operadora pode até apresentar negativa, mas isso não significa que a recusa seja válida. Casos envolvendo Unimed, Amil, Bradesco Saúde, SulAmérica, NotreDame Intermédica, Porto Seguro, Cassi, Care Plus e outras operadoras precisam ser analisados conforme o contrato, a prescrição médica e a fundamentação da recusa.

O erro mais comum do paciente é aceitar uma negativa verbal. Sempre que o plano recusar o Ajovy, é importante exigir a resposta por escrito, com número de protocolo, data, nome da operadora e motivo específico da negativa.

Esse documento pode ser decisivo para demonstrar a recusa e embasar uma medida administrativa ou judicial.

O plano pode negar Ajovy por ser medicamento de uso domiciliar?

Essa é uma justificativa frequente, mas não deve ser vista como definitiva. O simples fato de o medicamento ser aplicado fora do hospital não elimina automaticamente a obrigação de cobertura, especialmente quando o tratamento é essencial, prescrito por médico e indicado para doença coberta pelo contrato.

Em muitos casos, a negativa baseada em “uso domiciliar” desconsidera a finalidade terapêutica do medicamento e transfere ao paciente um custo que ele não consegue suportar, mesmo pagando mensalmente pelo plano de saúde.

Por isso, a análise jurídica deve observar se houve abusividade, se a cláusula contratual foi interpretada de forma restritiva e se a recusa coloca o paciente em situação de risco ou sofrimento prolongado.

O que fazer quando o plano nega Ajovy?

O primeiro passo é reunir a documentação correta. O relatório médico é o documento mais importante. Ele deve explicar o diagnóstico, a frequência das crises, os tratamentos já utilizados, os motivos da falha terapêutica, a necessidade do Ajovy, a dose prescrita e os riscos de atraso no início ou na continuidade do tratamento.

Também ajudam a fortalecer o caso a receita atualizada, a negativa formal do plano, exames, prontuários, comprovantes de idas ao pronto atendimento, diário de crises, afastamentos do trabalho e documentos que mostrem o impacto da enxaqueca na rotina.

Mesmo sem esses documentos, inicialmente, é possível avaliar uma notificação extrajudicial, um novo pedido administrativo ou uma ação judicial com pedido de tutela de urgência. A tutela de urgência, conhecida popularmente como liminar, pode ser solicitada quando há risco de dano à saúde e necessidade de decisão rápida.

Quanto tempo demora uma ação para conseguir Ajovy?

Não existe prazo garantido, porque cada processo depende da documentação, da urgência, da comarca e da análise do juiz. Porém, quando o caso está bem instruído, com relatório médico circunstanciado e negativa formal do plano, é possível pedir uma decisão urgente logo no início da ação, que pode sair nas primeiras semanas de processo.

O objetivo da liminar é evitar que o paciente espere o fim do processo para começar o tratamento. Em casos de enxaqueca grave, essa espera pode significar novas crises, perda de produtividade, uso excessivo de remédios de alívio e piora importante da qualidade de vida.

Ajovy pelo SUS: é possível?

Embora o foco principal deste artigo seja a cobertura pelo plano de saúde, alguns pacientes também buscam o Ajovy pelo SUS. Nesse caso, a análise é diferente. O fornecimento depende das políticas públicas vigentes, dos protocolos clínicos aplicáveis e da disponibilidade administrativa do medicamento.

Quando o medicamento não é fornecido pela via administrativa, pode ser necessário avaliar pedido judicial contra o Poder Público. Nessa hipótese, normalmente é preciso demonstrar prescrição médica, imprescindibilidade do tratamento, ausência de alternativa eficaz disponível no SUS, incapacidade financeira e respaldo técnico.

Para quem possui plano de saúde ativo, porém, a discussão costuma começar pela operadora, já que ela foi contratada justamente para custear tratamentos de saúde dentro da cobertura assistencial.

Quais são os efeitos colaterais do Ajovy?

A bula informa que as reações adversas mais frequentes são no local da aplicação, como dor, endurecimento, vermelhidão e coceira. Também há menção a reações de hipersensibilidade, como rash cutâneo, prurido e urticária.

Pacientes grávidas, lactantes, idosos, pessoas com doenças cardiovasculares importantes ou outras condições relevantes devem conversar com o médico antes do uso. O papel do advogado não é substituir a avaliação médica, mas garantir que uma indicação legítima, feita por profissional habilitado, não seja recusada de forma abusiva pelo plano.

Ajovy precisa ficar na geladeira?

Sim. A bula orienta que o Ajovy seja conservado sob refrigeração, entre 2°C e 8°C, dentro da embalagem original, protegido da luz, sem congelar e sem agitar. Antes da aplicação, a seringa deve permanecer em temperatura ambiente por cerca de 30 minutos.

Esse detalhe é relevante inclusive em casos judicializados. Quando o plano é obrigado a fornecer o medicamento, a entrega precisa respeitar as condições adequadas de transporte e armazenamento.

Recebeu negativa para Ajovy? Fale com o Backer Faquim Advogados

Se o seu médico prescreveu Ajovy e o plano de saúde negou a cobertura, não aceite a recusa sem análise. A negativa pode ser abusiva, principalmente quando há prescrição médica fundamentada, indicação em bula e histórico de tratamentos anteriores sem resposta adequada.

O Backer Faquim Advogados, escritório localizado em Belo Horizonte e com atendimento em todo o Brasil, atua em casos envolvendo planos de saúde, medicamentos de alto custo e tratamentos negados indevidamente.

Envie pelo WhatsApp a prescrição médica, o relatório do neurologista e a negativa do plano. A equipe analisará a documentação para verificar a melhor estratégia para o seu caso.

WhatsApp: 31 99827-1317

Fundamentos jurídicos

  • STJ · REsp 2186729 / SP

    DIREITO CIVIL E DO CONSUMIDOR. RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE. COBERTURA DE MEDICAMENTO PRESCRITO PARA ENXAQUECA CRÔNICA. AJOVY® (FREMANEZUMABE). MEDICAÇÃO INJETÁVEL. CARÁTER AMBULATORIAL OU ASSISTIDO. ABUSIVIDADE DA NEGATIVA DE COBERTURA. RECURSO PROVIDO.

Precisa de ajuda com um caso assim?

Conte a sua situação pelo WhatsApp. A gente analisa e explica os seus direitos.